Guia · Agentes de código
O ponto de retorno: como soltar um agente sem medo
Antes de deixar a IA mexer em doze arquivos de uma vez, você salva um retrato do projeto funcionando. Quando ela derruba alguma coisa, um comando devolve tudo.
Contexto
Agente quebrou tudo → um comando devolve
Agente de código não erra pouco e devagar — ele erra em doze arquivos ao mesmo tempo, em quinze segundos. Quando você percebe que alguma coisa que já rodava parou de rodar, o desfazer do editor não te salva: ele desfaz uma linha por vez, e o estrago não foi em uma linha.
O que resolve é anterior ao erro. Antes de soltar o agente, você salva um ponto de retorno: um retrato exato do projeto no momento em que ele funcionava, com data, autor e o motivo escrito. Depois, se der ruim, um comando devolve o projeto inteiro para aquele retrato.
Isto não é backup. Backup é cópia de arquivo — você guarda a pasta e reza para lembrar qual versão prestava. Ponto de retorno é a linha do tempo do projeto: cada retrato tem um antes e um depois, e você escolhe para onde voltar.
Passo a passo
Como montar, na ordem.
- 01
Confirme se o projeto já tem linha do tempo
Abra o terminal na pasta do projeto e rode git status. Se responder algo sobre branch e arquivos, já existe. Se responder que não é um repositório, rode git init dentro da pasta — é uma vez só, e cria a linha do tempo sem mandar nada para lugar nenhum. Tudo neste guia acontece na sua máquina; nada sobe para a internet.
- 02
Salve o ponto ANTES de soltar o agente
São dois comandos: git add -A e depois git commit -m "antes da IA". O primeiro junta tudo o que mudou, o segundo tira o retrato. A mensagem entre aspas é sua — escreva o que estava funcionando, porque é ela que você vai ler daqui a três semanas tentando lembrar qual retrato prestava. Se aparecer um aviso pedindo seu nome e e-mail, é a primeira vez: rode as duas linhas que o próprio Git sugere e repita o commit.
- 03
Solte o agente e depois olhe o que ele mexeu
Com o ponto salvo, deixe a IA trabalhar. Quando ela terminar, rode git status para ver a lista de arquivos tocados e git diff para ver linha por linha o que mudou. Esses dois comandos são a diferença entre aceitar o trabalho e conferir o trabalho — e é aqui que você descobre que ele mexeu em coisa que ninguém pediu.
- 04
Se quebrou, volte tudo para o retrato
O comando completo é git restore --source=HEAD --staged --worktree . — o ponto no fim faz parte, é ele que diz "tudo". Você vai ver por aí a versão curta, git restore . , e ela funciona no caso simples. Mas há um caso em que a curta não faz nada, e ele é o mais comum: veja o passo seguinte.
- 05
Por que a versão curta às vezes não devolve nada
git restore . sozinho só desfaz o que ainda não foi marcado para o próximo retrato. Acontece que Claude Code, Codex e vários outros agentes marcam os arquivos sozinhos enquanto trabalham. Quando isso acontece, você roda git restore . , não recebe erro nenhum, e o arquivo continua quebrado — o pior tipo de comando, o que falha em silêncio. Por isso o guia usa a versão longa: ela devolve o projeto ao último retrato tendo o agente marcado os arquivos ou não. Testado nos dois casos.
- 06
O arquivo novo que ele criou continua lá
Voltar ao retrato devolve o que existia; não apaga o que passou a existir. Se o agente criou um arquivo que não estava no retrato, ele permanece na pasta depois do comando — e tudo bem, porque arquivo novo não quebra o que já funcionava. Apague na mão o que não quiser. Existe comando para limpar isso de uma vez, mas ele apaga sem perguntar, e não vale o risco antes de você ter intimidade com o resto.
- 07
Se funcionou, tire o retrato seguinte
Deu certo? git add -A e git commit -m "o que a IA fez, em uma linha". Agora esse é o novo ponto de retorno, e o anterior continua guardado. É esse hábito — retrato antes, retrato depois — que transforma o Git de comando decorado em rede de segurança de verdade.
Limites
O que isso não é.
Não é backup — backup é cópia de arquivo; isto é a linha do tempo do projeto, com um antes e um depois.
Não é o GitHub — o GitHub é onde essa linha do tempo vira trabalho de time; tudo aqui roda só na sua máquina.
Não é revisão de código — voltar ao ponto anterior não te diz se o que a IA escreveu presta.
Riscos conhecidos
Erros que matam o projeto.
Soltar o agente sem ter salvo o ponto: sem retrato anterior, não existe para onde voltar.
Usar só git restore . e achar que voltou, quando o agente já tinha marcado os arquivos.
Salvar o ponto com mensagem vazia ou genérica: daqui a três semanas nenhum retrato se distingue do outro.
Próximo passo
Você já usa agente de código e quer essa disciplina valendo para o time inteiro, não só para você? A gente monta a esteira — ponto de retorno, revisão por risco e aprovação humana onde importa.
Continuar aplicando
Este guia é a primeira camada. A Comunidade é o acompanhamento.
Uma entrega prática por semana, o grupo fechado com o Gabriel presente e o acervo do que já foi publicado. Turma fundadora com 40 vagas, R$ 297 por ano — o preço trava enquanto você for assinante.
Ver a Comunidade